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GHOST : 2011 O CICLO | the cycle : 2009-10 GABINETE AUDIOVISUAL

 

 

 

RESTOS, RASTOS E TRAÇOS. Práticas de documentação na criação contemporânea

DRAMA (DE)VICES,

de paula caspão & valentina desideri (portugal-frança-itália)

ATELIER REAL, 20 DE NOVEMBRO DE 2010, 18h00 

entrada livre, lotação limitada. apresentação em inglês.

Em residência artística entre 20 de Setembro e 21 de Novembro de 2010

 

Drama (De)Vices(c) Paula Caspão & Valentina Desideri   

 

projectos acolhidos

 

Janša, Janša, Janša: NAME READYMADE László & Rakósi: TEHNICA SCHWEIZ Catarina Simăo: FORA DE CAMPO Alexandra Ferreira & Bettina Wind: THIS IS... Noé Sendas: QUEM É NOÉ SENDAS? Rogério Nuno Costa: A OPORTUNIDADE... Simon Bowes: KINGS OF ENGLAND Rémy Héritier: UNE ÉTENDUE POC: CHARLES FREGER POC: SEBA KURTIS Caspăo & Desideri: DRAMA (DE)VICES

 


DRAMA (DE)VICES

 

O nosso interesse por dispositivos de produção de drama surgiu no Verão de 2008 em Paris, a partir de um mal entendido. Ganhou forma em Agosto desse mesmo Verão, no Porto, e desde então tem tomado diversos contornos e formatos, especialmente em passeio através de Malmö, na Suécia, no pálido Verão de 2009 [1], antes de aterrar no futuro: no Verão indiano de 2010, em Lisboa, onde espera levantar voo para outras paragens.

 

O que nos interessa não é propriamente o “drama”, no sentido que tem historicamente na área do teatro e da representação; e também não pretendemos chegar a uma definição do que seja realmente “um drama”. Para nós, a noção de DRAMA configura um quadro de percepção, de pensamento e de acção – da mesma maneira que a noção de “performativo” ou de “coreográfico”– através do qual se podem observar, repensar e reorganizar coisas e situações. A razão pela qual preferimos utilizar o DRAMA como dispositivo de trabalho é que se trata de uma noção que, de uma maneira ou de outra, toda a gente conhece; está presente no quotidiano de todos e constitui literalmente uma parte considerável da experiência de vida de cada um, de maneira que podemos dizer que significa algo para toda a gente, o que quer que seja. Mais precisamente, o DRAMA tornou-se para nós um dispositivo de montagem e desmontagem para tentar compreender a maneira como certas coisas e certas situações funcionam, e poder re-imaginá-las.

 

Temos entretanto vindo a recolher dispositivos e mecanismos de produção de drama em vários materiais: em situações do quotidiano que observamos, em géneros fílmicos e literários, em manuais do estilo ““How-to write fiction”, em linguística (speech acts), em teoria da literatura (figuras de estilo), em neurociências e biologia (há mecanismos extremamente dramáticos no funcionamento da percepção, do cérebro, por exemplo, e em funções biológicas de base), na gastronomia (tanto na redacção como na preparação de receitas), em letras de canções, em práticas coreográficas...  

 

Coleccionar estas coisas requer formas de arquivagem, de mise en document utilizável. É desta forma que DRAMA e DOCUMENTO se encontram para partilhar os seus poderes dramatúrgicos. A ideia é descobrir práticas de arquivo que nos permitam identificar facilmente cada item nos seus usos específicos, mas também (se tivermos sorte) inventar maneiras de os classificar que nos “inspirem” outras maneiras de os utilizar, bem como outras maneiras de os organizar em combinações interessantes. Paula Caspão & Valentina Desideri, Junho de 2010.



 

 

DRAMA (DE)VICES

Paula Caspão (Portugal/França)

Escritora e dramaturga residente em Paris, trabalha no cruzamento da performance coreográfica com outras áreas. Em projectos colectivos como individuais, interessam-lhe as maneiras de artificializar as relações entre as coisas e entre os elementos que as compõem. Neste momento recolhe materiais de trabalho em áreas como a geografia, a literatura, os road movies, a gastronomia, a política, a ficção sob todas as formas, as histórias de animais e de plantas (especialmente a vida secreta das plantas), as maneiras de filmar a escrita, e as conversas ouvidas na rua. Tem textos publicados em várias línguas, em revistas e antologias estrangeiras (Áustria, Bélgica, Espanha, França, Suécia e USA). Colaborou com os coreógrafos João Fiadeiro (P), Petra Sabisch (D), Alix Eynaudi (F/B), Anne Juren (F/A) e Agata Maszkiewicz (PL/A). Actualmente trabalha com Valentina Desideri (I/F) na realização de uma colecção meia-coreográfica meia-infinita (HOW-TOs: Modes of doing and using), e no primeiro episódio de HERBARIUM PLOTS, uma série de escrita videográfica: Rhododendrons in the Redwoods – Postcards from California.

 

 

Valentina Desideri (Itália/França)

Performer e coreógrafa. Trabalha como freelance em vários projectos, e mantém um envolvimento activo na criação das suas próprias condições de trabalho. Terminou a sua formação no Laban Centre de Londres em 2006. Em Agosto 2007, co-organizou o projecto ‘Sweet and Tender Collaborations/SKITE 2007’, que teve lugar em PAF – Performing Arts Forum –, onde reside. Actualmente trabalha com Paula Caspão na realização de uma colecção meia-coreográfica meia-infinita (HOW-TOs: Modes of doing and Using) e no projecto Objects Without Property, cujo objectivo é recolher fundos para a manutenção de PAF [http://www.makeitpossible.eu/objectswithoutproperty/]. Trabalha igualmente na concepção de uma formação de movimento com base na reprodução de sons de animais selvagens: Jungle Training ­(disponível no Youtube), ao mesmo tempo que tenta ultrapassar a condição humana juntamente com Florin Fueras e Iuliana Stoianescu, no projecto Posthuman.

 

fotoromanzo 2

(c) Paula Caspão & Valentina Desideri