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programa de residências artísticas PATRICIA CABALLERO (espanha)
atelier real, 31 de outubro de 2009, 18H00 (entrada livre)
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Simulacro de Simulacros, de Patricia Caballero (2008). Foto: Ana Zaragoza (DR).
Investigando a fronteira entre realidade e ficção, “Simulacro de Simulacros” elabora pseudo-ficções e realidades artificiais em tempo real. Os acordos e as coincidências confundem-se, e a premeditação e o acaso apoiam-se entre si. Manobras de figuras e fundos que se empenham em alternar-se continuamente. Presenças que oscilam entre o discreto e o diferenciado, entre o camuflado e o disfarçado. Patricia Caballero foi convidada pelo Atelier Real no âmbito de uma parceria com La Porta (www.laportabcn.com), em Barcelona. La Porta é uma das raras estruturas independentes de produção e de promoção da dança contemporânea em Espanha, cujo trabalho é, desde 1992, de apoiar e promover – muitas vezes contra a corrente institucional – as sucessivas gerações de jovens criadores. Assim sucedeu nos anos 1990, com os criadores seminais da “dança contemporânea espanhola” (agora quase toda no exílio), com coreógrafas como La Ribot, Olga Mesa, Mónica Valenciano ou Olga de Soto. Nos últimos anos, La Porta tem desenvolvido um trabalho exemplar tanto a nível local como nacional, enquanto alternativa ao conservadorismo que preside aos festivais e outras estruturas de programação e/ou formação coreográficas em Espanha. Criou vários eventos, festivais, ciclos e publicações com artistas e teóricos cujas reflexões e abordagens ultrapassam a mera etiqueta de “dança” ou de “dança contemporânea”, proporcionando uma verdadeira relação crítica com o mundo da criação contemporânea que se pratica hoje, dentro e fora de Espanha. Intenções, intuições e tentações: procurar o nada
“Não me precipito a considerar, nesta primeira fase de pesquisa, nada que tenha a ver com a criação de uma peça, mas sim um enquadramento no qual se possam abrir linhas interconectadas de investigação. Por isso também não defino nenhum formato concreto, prefiro deixar que ele se coloque, numa segunda fase de composição, ao serviço da evolução e das possíveis transformações do enquadramento em questão. Quer dizer que tudo poderia concluir-se tanto com uma peça teatral como com uma intervenção, uma instalação, um livro, ou várias destas opções, ou podia até nem se concluir.
Não procuro nenhuma estética, ela surgirá como consequência. Procuro sim uma ética baseada na aceitação e na paciência, que me informa que os meus desejos e tentações só serão úteis se fizer o esforço tensional de distanciar-me deles.
Proponho-me testar intuições, retê-las, reescrever perguntas, ordená-las e guardar apenas as necessárias; e estabelecer assim um ponto de onde partir. Parece-me oportuno atingir um nível zero a partir do qual seja possível encontrar alguma singularidade; chegar à posição niilista de querer activamente o próprio “nada”.
Quase impossível…
Padeço de uma intensa e obsessiva inclinação para o impossível. Para não acabar esmagada em lugares apocalípticos, resigno-me a apresentar o meu desajeitado esforço para alcançá-lo, tentando afastar-me das suas possíveis formas de representação ou ilusionismo, e esperando obter como inevitável e necessário fracasso, simulacros, objectos, lugares ou conceitos do “nada”.
Situo-me em princípio num ponto de partida sóbrio e tangível, no qual o “nada” (ou o seu substituto) é o que já existe, evitando qualquer tipo de pseudo-necessidade.
Por um lado, procuro a perplexidade. Procuro a ideia de submissão, de me perder num lugar sem nele desempenhar nenhum papel aparentemente activo; sem deixar qualquer rasto.
Por outro lado, considero necessária a produção de “vazio”, em todos os sentidos. Considero necessário dar lugar ao lugar; toda a área desocupada se desmantela; todo o ocupante faz parte de um emaranhado de ocupantes. Considero necessário criar hiatos que separem os ocupantes uns dos outros, as acções umas das outras.” Patricia Caballero, Maio de 2009 |
Do projecto 'Fedón' de Jesús Barranco. Foto: Ana Zaragoza (DR). |
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PATRICIA CABALLERO Formada em Dança Contemporânea entre Cádis (Conservatório Profissional de Dança), Madrid (Estúdios Profissionais de Dança Contemporânea Carmen Senra) e Barcelona (Conservatório Superior de Dança) e com um vasto percurso autodidacta nas artes plásticas. Actualmente frequenta a licenciatura de Coreografia e Técnicas de Interpretação de Dança no Conservatório Superior do Instituto de Teatro de Barcelona, dando uma atenção especial ao departamento de teoria e estética. Dada a falta de estímulo por parte do centro, co-funda e organiza este ano a primeira edição do ciclo auto-gerido “Setmana Deformativa”. Uma programação paralela à programação oficial da escola, com mesas redondas sobre pedagogia e produção artística, propostas de motivação (workshops, encontros com artistas e intervenções no edifício) e mostras de trabalhos. Este ciclo conta com a colaboração desinteressada de 25 artistas, pensadores, programadores, investigadores, animadores e representantes de assembleias, colectivos, etc. Desde 2003, a título de laboratório pessoal, tem desenvolvido projectos de pequeno formato que investigam nas fronteiras entre a acção, a intervenção urbana, a dança conceptual e a instalação – “Desequilibrios”, “Retaguardias”, “Psicastenia Legendaria”, “Amalgam”, “Verde”, “Paradiástole”, “50Hz”, “Como congelar fantasmas” e “Simulacro de simulacros” – e contam com a colaboração de fotógrafos, videastas, escritores, dramaturgos e intérpretes. |
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