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GHOST : 2011 O CICLO | the cycle : 2009-10 GABINETE AUDIOVISUAL

 

 

 

RESTOS, RASTOS E TRAÇOS. Práticas de documentação na criação contemporânea

apresentação do projecto

"UNE ÉTENDUE" [UMA ÁREA]

de rémy héritier (frança)

com a colaboração de loup abramovici, audrey gaisan doncel e éric yvelin

 

ATELIER REAL, 25 DE SETEMBRO DE 2010, 18h00 (entrada livre, lotação limitada)

 

em residência artística entre 5 de Agosto e 27 de Setembro de 2010

 

Rémy Héritier

(c) Rémy Héritier  

 

projectos acolhidos

 

Janša, Janša, Janša: NAME READYMADE László & Rakósi: TEHNICA SCHWEIZ Catarina Simăo: FORA DE CAMPO Alexandra Ferreira & Bettina Wind: THIS IS... Noé Sendas: QUEM É NOÉ SENDAS? Rogério Nuno Costa: A OPORTUNIDADE... Simon Bowes: KINGS OF ENGLAND Rémy Héritier: UNE ÉTENDUE POC: CHARLES FREGER POC: SEBA KURTIS Caspăo & Desideri: DRAMA (DE)VICES

 


Une Étendue [Uma Área]

 

Este projecto pode definir-se em relação ao conceito de Terceira paisagem [Tiers Paysage] do paisagista e teórico da paisagem Gilles Clément. Partindo do princípio de que cada ordenamento do território gera uma parcela abandonada, o conceito de Terceira paisagem define-se como a fracção de território não cultivado ou não ajardinado que existe à superfície do planeta: reservas naturais, cumes inatingíveis de montanhas mas também parcelas abandonadas entre prédios, terrenos baldios à beira das estradas, fossos, pousios… Une Étendue pretende transpor este enunciado para o trabalho coreográfico, partindo do princípio de que cada coreografia gera um abandono.

 

Agrada-me a ideia de que existe, nos cantos esquecidos do meu trabalho, zonas de grande diversidade deixadas em pousio ou que ficam à espera, abandonadas à falta de ferramentas adequadas para lá chegar; pois trata-se de lá chegar, de ir até – quer fisicamente, quer intelectualmente – quer dizer, de um movimento. Sem pôr em causa que certas coisas são temporariamente ou definitivamente inatingíveis, pretendo desenvolver ferramentas, processos que me permitam fazer uma ideia mais precisa da natureza desses objectos (artísticos ou teóricos) que o trabalho encobre, poder especular a propósito das suas formas e imaginar como produzir essas formas. Agrada-me a ideia de que a acção de cavar um buraco na terra tem como corolário o monte de terra escavada: cavar aqui é cobrir ali. O objectivo do trabalho passa mais por cavar no monte do que por entrar no buraco. É, pelo menos, o meu ponto de partida.

 

Desde a criação de Chevreuil [Veado] (2009), considero o meu trabalho como uma série de documentos: todas as secções que compõem as peças, tal como as peças elas mesmas, são documentos. Essa mudança na forma de nomear o material de trabalho tal como o trabalho ele mesmo, não é uma mudança formal. É uma mudança de natureza. Do meu ponto de vista, é considerar uma obra de arte como um contributo.

 

Rémy Héritier,

Junho de 2010


Rémy Héritier (c) Marc Domage(c) Marc Domage


Rémy Héritier nasceu em França em 1977. Vive em Paris. Criou a companhia GBOD! em 2003. Resultado de um processo de trabalho de dois anos, criou, no laboratório internacional de criação artística Subsistances, em Lyon, a peça Arnold versus Pablo (Junho 2005). No mesmo ano, em Setembro, apresenta Archives, performance para seis bailarinos e um videasta, inserido nas Soirées Nomades da Fundação Cartier, Paris, para a arte contemporânea. Até 2007 colabora com o escritor Christophe Fiat no projecto La reconstitution historique, criada no Théâtre de la Bastille, Paris, em Maio de 2006, e também em La jeune fille à la bombe, criado no Festival de Avignon 2007. A convite do FRAC/Le Plateau e do Parc de la Vilette, em Paris, apresente domestiqué coyote, apresentado em La Vilette, em Julho de 2006. Em Maio de 2007 criou no Vivat de Armentières a peça Atteindre la fin du western. Em 2007-2008 trabalha em residência em França e na Turquia (Malterie, Lille; Çati dans, Istambul; 5th Bafa Meeting). Faz também parte do projeto EXPEDITION european platform for artistic exchange acolhido em residência no Gasthuis de Amesterdão, no Brut, em Viena, e nos Laboratoires d’Aubervilliers. Em Março de 2008 cria Disposition(s) no Tanzquartier de Viena, Áustria, inserido nas “curated series” de Philipp Gehmacher, Still Moving. De Janeiro de 2008 a Março de 2009 foi artista associado nos Laboratoires d’Aubervilliers durante a criação de Chevreuil. Em Setembro de 2009 apresenta Facing the sculpture nos Bains::Connective, em Bruxelas.

Desde 1999 foi intérprete de Lluis Ayet, Christophe Fiat, Philipp Gehmacher, Mattieu Kavyrchine, Jennifer Lacey, Latifa Laâbissi, Mathilde Monnier, Laurent Pichaud, Sylvain Prunenec, Carole Rieussec, Loïc Touzé.